quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

A diferenciação entre Marketing Político e Marketing Eleitoral

Quem deseja se lançar no mundo político como pré-candidato, candidato e fazer parte da assessoria parlamentar – gabinete, regional ou de rua, precisam compreender a diferenciação entre Marketing Político e Marketing Eleitoral. Tal compreensão, possibilita definir estratégias políticas e posicionar corretamente o produto ao seu consumidor em potencial (nesse caso, os eleitores). Assim, compreender a diferenciação entre os conceitos em Marketing Político e Marketing Eleitoral é de suma importância para uma campanha vencedora ou um mandato de sucesso.

O marketing político é aplicado durante o exercício do mandato e tem como base o uso de ferramentas do marketing tradicional nos espaços de poder e de tomada de decisões. Desse modo, faz necessário observar e adequar estratégias políticas no exercício do poder, ou seja, posicionando e definindo uma imagem ao mandatário que poderá ser usada em futuras disputas eleitorais, como também em situações em que é preciso o apoio da opinião pública para se tornar um vencedor no pleito eleitoral.

A aplicação do Marketing Político é fundamento em estratégias a longo prazo e na investidura do cargo eletivo para o exercício do mandato bem como antes da campanha eleitoral. É com o marketing político que se estabelece relações com o público-alvo, com a construção da imagem, do posicionamento político e o fortalecimento da relação com o eleitorado. Já o Marketing eleitoral é uma variável do Marketing Político e a sua principal diferença é que as ações são programadas, tem data de início e fim, logo, é voltado a pré-campanha e campanhas eleitorais.

O Marketing Eleitoral tem como objetivo a construção da imagem e o posicionamento do pré-candidato junto ao público-alvo no território político, fazendo do candidato um vencedor no pleito eleitoral. Essa diferenciação entre o marketing político e eleitoral é o que dá sentido às estratégias a serem definidas em cada cenário. Enquanto o marketing político foca na consolidação da imagem, na linguagem do discurso e no posicionamento estratégico no exercício do mandato, o Marketing Eleitoral foca na meta de conversão de votos, ou seja, a eleição e o resultado esperado para fazer do candidato um vencedor.

O marketing político e o marketing eleitoral não poderiam sobreviver sem o pré-candidato, candidato e o político em si. É o indivíduo político quem dá o norte para definição da construção da imagem, linguagem do discurso e a definição de estratégias para o posicionamento durante uma campanha eleitoral e exercício do mandato. Portanto, o investimento no marketing eleitoral se faz necessário para se ganhar uma eleição. Já o marketing político, por sua vez, tem o intuito de criar uma imagem forte do parlamentar perante o público-alvo no exercício do mandato. Para isso, é preciso criar e desenvolver ações e estratégias a longo prazo - Plano de Atuação Parlamentar, adotadas dentro do conceito de marketing político.

terça-feira, 9 de maio de 2023

Reflexões aos moços - fome de crescer

A semana vai começar e toda noite de domingo penso, reflito, imagino e, por delivery, faço o pedido de uma pizza ou sanduíche, estando ou não acompanhado, prefiro não fazer nada na cozinha, mesmo gostando de cozinhar. Mesmo que o ato de ficar sozinho - solidão crônica - possa levar a desenvolver doença cardiovascular, obesidade, ansiedade, depressão, mal de Alzheimer, hipertensão, entre outros.

Quando estou sozinho, me obriga a parar um pouquinho para analisar aspectos do passado para avaliar erros, acertos, deslizes, bênçãos e vislumbrar o que está por vir. Mas quando recebo visita, deixo a fantasia e a criatividade fluir nos diálogos, inclusive, procuro aconselhar os mais moços, sobretudo a quem tem fome de crescer. Em muitos diálogos, percebo moços ansiosos, tensos e um pouco perdidos nos propósitos de vida.

 No aguardo da pizza, conversa vai, conversa vem, um moço me confidenciou que deseja seguir a carreira militar por ser simpático ao militarismo e está estudando para atingir esse objetivo. Daí fiz algumas perguntas e tentei aconselhá-lo, mas não consegui. Ele não possui a habilidade de ouvir.

 A maioria desses moços que não sabe ouvir tenta convencer os outros das suas ideias e convicções, como se fossem donos da verdade. Tais moços não querem ouvir porque têm receio de serem aconselhados a mudar suas estratégias, sair da zona de conforto e serem tirados da posição que sabem de tudo. Esses moços se tornam arrogantes e se distanciam do mundo real porque só enxergam apenas a sua realidade.

 Da minha parte e na minha meia-idade, já vivenciei situações e adversidades que me permitem aconselhar alguns moços com aptidão para ouvir. Mas para quem não sabe ouvir, eu tenho algo a dizer: Ninguém é tão bom e autossuficiente a ponto de nunca precisar da orientação de alguém mais experiente.


sexta-feira, 31 de março de 2023

É preciso dialogar com evangélicos

É um desafio escrever sobre religião e política num país polarizado por duas grandes forças políticas antagônicas, principalmente quando temos uma força empurrada pelo fundamentalismo religioso evangélico tropical. No presente texto e na véspera do governo Lula completar cem dias, percebemos que o campo evangélico ainda parece estar em dificuldades para reorganizar suas bases em torno de um projeto político comum após a Esquerda voltar a ocupar o Palácio do Planalto e a Esplanada dos Ministérios na capital federal.

 O fato é que os ventos políticos progressistas das primeiras décadas do atual século, em especial, ocorridos durante os governos Lula e Dilma, deixaram em ebulição os evangélicos no país. Em face disso, evangélicos da posição de que crente não deve se meter em política passaram a adotar uma postura mais militante, defendendo um projeto de poder de querer converter as instituições sociais e políticas do país em difusores do cristianismo fundamentalista com o seguinte lema: “O Brasil é do Senhor Jesus.”

Desde a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro nas urnas, a ocupação da frente dos quartéis pedindo a volta da Ditadura Militar e da tentativa de Golpe de Estado em 8 de janeiro, os evangélicos têm procurado deixar de lado o envolvimento político por conta dos desgastes criados no ambiente interno das igrejas, o que fez com que alguns pastores e líderes adotassem um caráter mais pragmático, ou seja, preferindo retornar ao estilo tradicional do que dobrar a aposta bolsonarista.

Contudo, não pode negar a força ideológica que a extrema-direita desperta nas mentes e nos corações dos evangélicos brasileiros. Em face disso, o campo progressista brasileiro precisa aprender a dialogar com os evangélicos como forma de vencer a bipolarização, o discurso do ódio e acabar com a espera de um “Novo Messias”.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

O preço do Sucesso

Em dezembro do ano passado na cidade de João Pessoa – Paraíba, tive a oportunidade de assistir no Theatro Santa Roza, o belíssimo espetáculo de ballet “Loja de Bonecas”, inspirado em Fary Doll. O movimento das bailarinas, me permitiu observar a leveza dos pés, denotando sofisticação, graça e beleza. Mas ao mesmo tempo, pude me questionar:  o que está por baixo daquelas meias reluzentes?

Imaginei o pé desnudo da bailarina, seria um pé de princesa ou um pé com deformações, bolhas e feridas, símbolo de toda a dor que a bailarina tem de enfrentar para alcançar a perfeição em sua arte? Quem poderia imaginar um pé como esse enquanto assiste a uma apresentação de balé? E quantos indivíduos aceitariam pagar o preço tão alto por algo muito desejado?

Eu diria que menos gente do que deveria. A dicotomia dor versus satisfação está presente em vários aspectos da vida, inclusive quando se trata de estudo e trabalho. No nosso país, infelizmente, ainda valorizamos demais o sucesso em detrimento do processo que conduz a ele. Admiramos as conquistas de um indivíduo, mas costumamos ignorar a persistência, determinação, o comprometimento, custo, trabalho e todo o esforço por trás delas de cada indivíduo que alcançou o sucesso na vida.

A maioria das pessoas não conseguem enxergar na trajetória dos outros os pés machucados da persistência e dos treinos diários como a bailarina.  Mas é preciso compreender que nem sempre se trata de dinheiro, em alguns casos, a dificuldade foi de ordem familiar; em outros, de natureza psicológica, falta de oportunidade e orientação para construção de propósitos.

O esforço de cada bailarina para fazer um espetáculo tão encantador aos olhos não se reduz a vestir as meias e sapatilhas para imediatamente dançar graciosamente, sem nenhum esforço, treino e dedicação nas aulas de dança. Os pés machucados, com bolhas e feridas mal cicatrizadas, alguns dias mal vai dar para andar, permitirá que a pele com o tempo fique calejada e menos suscetível à dor.

A verdade é que nenhum sucesso pode ser desmerecido, pois cada realidade individual tem lá seus desafios e superação de adversidades. Toda história de sucesso tem seu mérito. Toda história é a história de alguém, irreplicável, única, individual.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Reflexão de final de ano

 Os festejos de final de ano nos deixam mais reflexivos que o normal, os pensamentos se elevam e ajudam a construir propósitos para uma vida melhor com alicerces sólidos capazes de suportar qualquer adversidade. Na busca da construção dos propósitos de vida, exige de cada um de nós o crescimento individual para lidar com realidades e verdades, mesmo que elas não sejam muito agradáveis.

É preciso lembrar que temos o livre arbítrio para fazer escolhas e decidir, e engana-se quem pensa que escolhas e decisões são sinônimos de estar sempre certo. Acertar ou errar, faz parte do processo do crescimento pessoal, da construção do conhecimento e do desenvolvimento da inteligência emocional.

O livre arbítrio deve considerar o “sim, como sim” e o “não, como não”, ou seja, sermos firmes em nossas palavras. Entenda que não se trata de ser inflexível, mas de ser firme consigo mesmo e de realmente se comprometer com o que foi dito, portanto, se disser que vai fazer algo, faça! Nada de mentiras, nada de enganação.

Enquanto você seguir respirando jamais deixe de acreditar na possibilidade de conquistar os propósitos de vida estabelecidos. Mesmo que o livre arbítrio imponha as mais duras derrotas, são o desfecho da história de quem quer que seja. Erga a cabeça, infle o peito, potencialize sua alegria de viver e siga decidido rumo aos seus sonhos com ousadia e alegria.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

O desgaste da classe política

O primeiro passo para quem envereda pela política é ampliar os horizontes de conhecimento da epistemologia da palavra política, estudar o cenário político, identificar os personagens políticos e o jogo de poder no território político. Mas não pense que apenas a situação se prepara para o embate político, os adversários também se preparam para o enfrentamento no território político.

A imagem do político e da classe política se desgastam devido uma série de causas, a principal delas sãos os escândalos de corrupção, desvio, apropriação e roubo de recursos públicos, operações policiais e prisões de agentes públicos, empresários e mandatários. Por conseguinte, mediante a inércia de gestões que demoram a responder os anseios e problemas enfrentados pela população. Exemplo simples, como a falta de um médico no posto de saúde, a coleta de lixo que não passa, a reposição de uma tampa de galeria pluvial e muitos outros que deixariam o texto muito longo. 

Em geral, a população e o eleitor que considera as notícias negativas que aparecem no noticiário e na mídia, causa ao político e a classe um desgaste natural. Entretanto, aquele político de maior desempenho no exercício do poder, ou seja, que possui uma enorme capacidade de trabalho e de entrega, além de princípios éticos e transparência na condução da sua vida pública, não sofre desgaste e nem revés político, pelo contrário, esses são reconhecidos e reconduzidos ao cargo eletivo pelo eleitor quando busca renovar seus mandatos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Evangélicos e forças reacionárias unidos pelas pautas de costumes

A aproximação dos evangélicos com as forças reacionárias no Brasil não é um fenômeno recente, mas desde a década de 1950 com a chegada dos movimentos missionários evangelistas nas periferias das grandes cidades e nas áreas rurais do país. Esse movimento de cruzadas evangelistas resultou na formação de comunidades evangélicas com aculturação dos valores e ideais ultraconservadores norte-americanos.

O movimento missionário evangelista forjou uma visão religiosa de mundo carregada de dogmas e posições políticas de cunhos proféticos, ou seja, a ideia de um “fim dos tempos apocalíptica” como se fosse uma guerra espiritual do bem contra o mal. O bem seria representado pelas forças reacionárias com pautas de costumes e não de ideias, já o mal seria as forças progressistas que representa a “Grande Perseguição” que a Igreja de Cristo sofrerá antes da “batalha final”.

A pauta política de costumes das forças reacionárias sempre esteve associada a possível ameaça comunista, defesa da família, contra a ideologia de gênero, ampliação dos direitos civis a casais homossexuais, a descriminalização das drogas e do aborto, o “marxismo cultural”, a militarização da sociedade, dentre outros. As pautas políticas reacionárias são combatidas por uma linguagem do discurso moralista e puritano.

Esse discurso é rotineiramente compartilhado nas mídias e redes sociais por perfis de influenciadores cristãos, conservadores, reacionários, extremistas ou por meio de perfis falsos. Tais pautas política de costumes também domina o cenário dos eventos promovidos por igrejas e movimentos evangélicos neopentecostais, com conteúdo essencialmente antiesquerdista e antiprogressista. Diante do exposto, surge a seguinte pergunta: como dialogar com esse público alvo tão fortemente engajado em pautas antiesquerdistas? Até a próxima reflexão.


terça-feira, 12 de julho de 2022

Quem poderá vencer as eleições para o Senado Federal em Rondônia?

Nas próximas eleições de outubro, servirá para renovar um terço do Senado — 27 senadores ou senadoras ao todo, um por unidade da Federação. O primeiro turno (único turno, no caso da eleição para o Senado) ocorrerá em 2 de outubro. Por Rondônia, a disputa pelo senado conta com dez pré-candidaturas para substituir o senador Acir Gurgacz (PDT) no Senado Federal, portanto, será uma das eleições mais disputadas ao Senado se comparadas a pleitos eleitorais anteriores.

 No campo das forças reacionárias, conservadora e de direita em Rondônia, quatro candidatos disputam o mesmo eleitorado do presidente Jair Bolsonaro (PL). A deputada federal Jaqueline Cassol (PP) representa os interesses dos clãs familiares mais tradicionais na política rondoniense; a deputada federal Mariana Carvalho (Republicanos) representa os próprios interesses das empresas da família Carvalho, em especial, faculdades; já os candidatos Jayme Bagatolli (PL) e Dr. Léo Fachin (Avante), representam o campo das forças reacionárias de Rondônia. Com essa fragmentação do território político, repito: a competição eleitoral será acirradíssima.

Os veteranos Expedito Júnior (PSD) e Amir Lando (MDB), que já foram senadores e bastante conhecidos pelos eleitores rondonienses, representam o campo democrático e projetam seus nomes para se lançar na disputa. No caso de Expedito, ele pode optar em ser o segundo voto no palanque do pré-candidato bolsonarista ao Governo de Rondônia, Senador Marcos Rogério (PL); Se lançar avulso na disputa, ou seja, sem figurar em nenhum palanque majoritário ou disputar ao lado de Vinicius Miguel (PSB). Já o ex-senador Amir Lando, seu destino político está nas mãos dos caciques do MDB rondoniense.

A Frente Democrática (PT, PV, PCdoB), PSB e SDD, conta com dois pré-candidatos ao senado, ex-governador Daniel Pereira (SDD) e Dr. Mauro Nazif (PSB), porém, seria muito mais sensato se ambos abrirem mão da postulação e atrair para o arco de alianças o ex-senador Expedito Júnior (PSD), o que ampliaria o leque de apoio à candidatura do ex-presidente Lula em Rondônia.

Por fim, existem pré-candidaturas nanicas ao Senado Federal como a do Pastor Josinélio Muniz (PMB) e da Dra. Rosangela Lazaro (AGIR), ambas candidaturas disputam os eleitores do presidente Jair Bolsonaro (PL) e não possuem densidade eleitoral. No campo da Esquerda, podem surgir pré-candidaturas ao Senado pelo PSOL e PSTU, porém, sem capilaridade eleitoral. É aguardar para assistir os desenrolar das políticas de alianças das forças políticas nas convenções eleitorais dos partidos para escolha de candidatos.

terça-feira, 5 de abril de 2022

O que prevalece na política em Rondônia com a janela partidária?

O fechamento da janela partidária para mandatários trocarem de partido e o processo de filiações daqueles que almejam o primeiro mandato. Deixou a máscara de muita gente cair no “baile da hipocrisia” ao renegar a ideologia que sempre carregou dentro de si mesmo. Neste caso, revela que os representantes políticos preferem permanecer no poder do que manter sua coerência política.

A janela partidária deixou cair a máscara das deputadas federais Mariana Carvalho (PSDB) e Silvia Cristina (PDT), ambas tiveram sua carreira política iniciada em partidos de Esquerda. No caso da deputada federal Mariana Carvalho que se criou politicamente pela sigla da Social-Democracia (ideologia de Esquerda), era considerada como a queridinha dos Tucanos, ganhou um não do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, pela vaga ao Senado, legenda que o presidente Jair Bolsonaro vai tentar a reeleição. Desesperada e perdida como Alice no País das Maravilhas terminou abraçada com o partido de Direita Republicanos, pertencente a Igreja Universal de Edir Macedo.

A deputada federal Silvia Cristina que é cria do Senador Acir Gurgacz - estrela maior do PDT e do brizolismo em Rondônia (Trabalhismo – ideologia de Esquerda), teve uma atuação brilhante no início de seu mandato em defesa da luta contra o câncer, das questões de gênero em defesa dos grupos minoritário como LGBT. Porém, quem estuda Simbolismo de Dan Sperber percebeu que a deputada Silvia votando com as pautas neoliberais do Governo Bolsonaro, em especial, a Reforma Trabalhista e da Previdência, sabia que ela deixaria a legenda trabalhista para uma legenda que abriga forças reacionárias, ou seja, pulou da esquerda para o PL de Valdemar da Costa Neto e do presidente Jair Bolsonaro. Mas resta saber se perdeu a identidade ideológica ou seu movimento foi por conveniência eleitoral.

Entre os mandatários estaduais teve quem fez o movimento inverso, a deputada Rosângela Donadon que era do PDT, deixou a sigla brizolista de esquerda e migrou para o partido União Brasil (UB), sigla partidária com cunho ideológico de direita. Já o deputado Jhony Paixão que era do Republicanos – partido de Direita e pertencente a Igreja Universal de Edir Macedo, deixou a Direita e migrou para o PSDB, partido da Social-Democracia Brasileira, portanto, uma sigla de Esquerda.

Os pré-candidatos que desejam conquistar um mandato também fizeram movimentos inversos, por exemplo, o ativista político Moises Cruz que era do Cidadania – ex-Partido Popular Socialista (PPS) - sigla de Esquerda, presidido por Roberto Freire, migrou para um partido de Direita, ou seja, Republicanos pertencente a Igreja Universal de Edir Macedo. Já o médico Silmar Régis que disputou uma vaga de deputado federal em 2018 pelo partido PSL que elegeu o presidente Jair Bolsonaro, fez movimento inverso, migrou da Direita para a Esquerda no momento que se filiou no MDB de Ulysses Guimarães, Renan Calheiros e de Confúcio Moura. Diante deste cenário político indago: o que prevalece na política em Rondônia com a janela partidária?

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Não se combate corrupção com corrupção

Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, a palavra Corrupção vem do latim corruptus, que significa quebrado em pedaços e o verbo corromper significa “tornar pútrido”, portanto, a corrupção pode ser definida como utilização do poder ou autoridade para conseguir obter vantagens e fazer uso do dinheiro público para o seu próprio interesse, de um integrante da família ou amigo.

 A corrupção se manifesta no favorecimento de alguém prejudicando outros, aceitando ou solicitando recursos financeiros para obter um determinado serviço público, direcionar licitações para favorecer determinada empresa, desviar verbas públicas destinado para um fim público, retirar multas e até mesmo desviar recursos de um condomínio. Por sua vez, quando uma é sociedade corrupta, direitos são suprimidos e privilégios e tráfico de influência passam a prevalecer.  

 A prática da corriqueira de corrupção, infelizmente, está presente nas três esferas do poder, ou seja, Legislativo, Executivo e Judiciário. Dessa forma, o uso da posição e da influência para obter qualquer tipo de vantagem já visto como uma coisa natural no nosso país.

Eu acredito naquele cidadão que é contra a corrupção e combate à corrupção pelo exemplo, mas não acredito naqueles indivíduos que combatem corrupção com corrupção ou que são corruptos e fazem discursos hipócritas de combate a corrupção. Contudo, o cidadão que tem corrupto de estimação, sugiro fazer uma reflexão um profundo exame de consciência.

domingo, 4 de julho de 2021

O tempo não para

O computador e a internet sempre me fascinaram desde a adolescência e na minha primeira fase de adulto, com muito esforço consegui comprar um computador Intel Pentium e uma impressora matricial Epson, aposentando de vez a minha máquina de escrever Olivetti. Na internet, incialmente, o correio eletrônico e outras ferramentas me deixava fascinado com a inteligência e a criatividade humana. 

A internet me permitia manter contato virtual pelo correio eletrônico, Messenger, Orkut, Twitter e criei meu próprio blog, que o hospedei inicialmente no WordPress, mas depois migrei para o Blogger do Google. Quando criado e popularizado o Facebook, fez desaparecer o Orkut, por sua vez, surgiu o WhatsApp, Instagram e tantos outras ferramentas de relacionamento nos espaços virtuais que mantenho perfis ativos.

Os vídeos curtos e rápidos se tornaram uma febre em todo mundo, um dos principais responsáveis pelo sucesso da vertente de conteúdo é o TikTok, esse último ganhou ainda mais popularidade durante a pandemia do coronavírus. Entretanto, aplicativos já ganharam concorrentes como o Reels do Instagram e Kwai, ambos estão ganhando espaço nas redes e mídias sociais dos brasileiros.

O TikTok, Kwai e Reels são aplicativos com vídeos curtos voltados para diversão ou informação para usuários de celulares, pensando em não ficar de fora como não fiquei no uso do E-mail, Messenger, Orkut, WordPress, Blogger, Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp e Telegram, comunico aos meus seguidores que vou iniciar a postagem de pequenos vídeos temáticos no TikTok voltadas para política, evidência, tendência e outras reflexões. O poeta Cazuza dentre tantas canções, nos ensina que o tempo não para e com essa iniciativa, deixarei a minha contribuição a esse futuro museu virtual de grandes novidades.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

O que está em jogo na prisão do deputado federal Daniel Silveira?

A prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), na noite de terça (16/2) por decisão do ministro Alexandre de Moraes, confirmada na quarta-feira por todo o plenário do Supremo Tribunal Federal e por ampla maioria, mantida pela Câmara dos Deputados na sexta-feira (19/02) - 364 votos a favor da prisão, 130 contra e três abstenções, levantou discussões no meio jurídico, quanto a se a decisão do STF foi ou não abusiva e levanta discussões em torno da prisão em flagrante.

Qual principal motivo da prisão do deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ), decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF)? Divulgar um vídeo com exaltações à Ditadura Militar, o pedido de retorno do AI-5 e fortes críticas e ameaças a ministros da Corte Maior do país. Por sua vez, ataques ao STF e a prisão do deputado federal é resultado do crescente populismo de direita travestido de autoritarismo que ameaça cotidianamente as instituições democráticas do país e a democracia brasileira. A linguagem do discurso do deputado Daniel Silveira é inaceitável e a sua prisão apresenta uma série de problemas jurídicos mediante o fato de a prisão ter sido determinada por um ato de ofício dentro do Inquérito das Fake News.

Entretanto, o deputado federal Daniel Silveira (PSL) não calculou os efeitos contrários dos discursos de ataques e nem dimensionou seu capital político,  ou seja, sua prisão poderia ter o efeito de ganhar mais notoriedade política? Transformá-lo em um "mártir" entre seus apoiadores bolsonaristas e estimular o espírito de solidariedade do presidente Jair Bolsonaro? Contar  com o espírito corporativo de seus pares, ou seja, unindo a Câmara dos Deputados Federais contra o STF? Mas nada disso aconteceu, o tiro saiu pela culatra e Silveira segue preso e sozinho.

Por conseguinte, o Congresso Nacional é "omissão" e faz "vista grossa" com parlamentares que atacam a democracia representativa, as instituições democráticas, o Estado-de-direto e que exaltam a Ditadura Militar (1964-1985), em especial, o AI-5 - o período mais negro do regime militar no país. Neste caso, o deputado brasileiro que defende o AI-5 é como um deputado alemão que defende a volta do nazismo na Alemanha ou um deputado sul-africano que defende supremacia branca e o retorno do apartheid na África do Sul.

Todavia, a Câmara dos Deputados Federais :e o partido que é filiado tem conhecimento que o Deputado Daniel Silveira (PSL) é um dos parlamentares investigados pela PGR por participação direta em 2020 das convocaçãões de atos antidemocráticos, que pediam o fechamento do STF e do Congresso Nacional, sendo ele um parlamentar. Transparecendo com seus discursos e posicionamentos políticos, uma pessoa senil, uma vez que ele foi eleito para o Congresso. O seu discurso e movimentos políticos deveriam ter levardo a Câmara dos Deputados Federais a cassar o parlamentar por quebra de decoro sem a interferência do STF. Isso, no entanto, não tem ocorrido — o próprio presidente Jair Bolsonaro exaltou Carlos Ustra (torturador do regime militar) durante seu voto pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff em 2016 e não sofreu punição alguma, nem mesmo uma advertência ao parlamentar por parte da Mesa Diretora da Câmara. Portanto, imunidade parlamentar não pode ser confundida com apologia a tortura, ataques a pessoa humana e muito menos, a democracia, o Estado-de-direito e às instituições democráticas.

A decisão do Ministro Alexandre de Moraes mantida pelo plenário do STF e da Câmara dos Deputados Federais, abriu um precedente muito perigoso para prisões em flagrante mediante o que estiver disponível nas redes sociais - abrindo espaço para possíveis ações autoritárias, por exemplo, o flagrante permite que alguém seja preso sem ordem judicial, assim qualquer policial ou indivíduos poderão prender em flagrante em flagrante sem ordem judicial. Neste caso, postagens nas redes sociais podem ser consideradas flagrante e vai precisar que um juiz emita um habeas corpus. Poderemos ter um festival de prisões em flagrante daqui em diante.

Considerando todos os fatos, não é a prisão abusiva ou não do deputado federal Daniel Silveira, não servirá como freio do movimento autoritário em curso no país. O que servirá é uma tomada de consciência por parte dos cidadãos brasileiros que a democracia, o Estado-dedireito e às instituições democráticas, devem ser defendidas e preservadas como bem maior. O que está em jogo é a liberdade de expressão que promove o ódio e o atentado à democracia, ela tem que de alguma maneira ser rejeitada. Não se pode aceitar um discurso ou um pensamento politico que para enfrentar ou vencer a ideologia contrária, faz necessário recorrer ao uso da força física e de armas, destruição da reputação ou a morte de todo aquele que tem uma visão de mundo diferente, colocando risco a paz social.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O PT E A DIFAMAÇÃO

            

O Partido dos Trabalhadores – PT, sempre foi vítima de uma grande campanha de difamação desde a sua fundação, passando pelo sequestro do empresário Abílio Diniz e o Dossiê Serra. Após a denúncia do “Mensalão” em 2005, a grande imprensa não deu trégua, principalmente, nos escândalos da Operação Lava-Jato, forjada para assassinar a reputação das grandes lideranças nacionais do partido que surgiu no berço operário do ABC paulista e chegou a ocupar o principal espaço de poder do país por quase 15 anos.

Quando o ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) ganhou a prefeitura de São Paulo em 2012, o PT ficou embevecido pelo poder, houve um deslumbramento pela vitória, sem perceberem que o poder é efêmero. Neste instante, me recordo de uma frase do ex-presidente uruguaio Pepe Mojuca quando disse após a vitória do presidente Jair Bolsonaro: “que não há derrota ou triunfo definitivo” e a “esquerda deve aprender com os erros cometidos e recomeçar a luta”.

O PT com a vitória de Dilma Rousseff para presidência da República em 2010 e com a vitória de Fernando Haddad a prefeitura de São Paulo, contagiados pela ascensão nas urnas, ficaram sob o efeito pavão nos espaços de poder, sem atentar ao que acontecia ao seu redor com os escândalos das operações policiais-políticas que despertava um sentimento de indignação por parte da sociedade brasileira.  Na sala de espera, ficaram as reformas de base tão necessária para o país pretendidas e defendidas por Juscelino Kubitschek e João Goulart, por sua vez, as reformas políticas, tributárias, previdenciárias e trabalhistas – pais não aguenta o peso da CLT fascista e do Poder Judiciário Trabalhista.

O PT fez muito pelo social, mas esqueceu de fazer pela infraestrutura, promover a modernização do Parque Industrial, de tornar a Educação um Projeto de Poder Nacional e uma Reforma Agrária capacitando e promovendo a extensão rural para quem ganhou seu pedacinho de chão. Contudo, esqueceram de realizar cursos de Economia Doméstica para quem foi contemplado com a casa própria. Pode ser um pensamento tacanho, porém, necessário a uma grande massa de fácil alienação pelas forças dominantes que controlam a grande imprensa nacional em defesa de seus interesses hegemônicos.

A reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi marcada pelo desejo por parte dos brasileiros de um Estado-Nação sem corrupção, porém, a eleição geral  de 2014 foi o pleito eleitoral que mais elegeram corruptos a Câmara de Deputados Federais e ao Senado Federal da República, mais de dois terços de ambas as casas preenchidas por representantes políticos carregados de processos e denúncias dos mais variados crimes. Então, como promover reformas de combate a corrupção com um Congresso Nacional contaminados pelo próprio eleitor?

            A porta esteve aberta para Reformas quando o ex-presidente Lula foi reeleito em 2006 para presidente da República, tanto ele como o PT perderam o start político para realizá-las e promover uma transformação política, econômica, social e cultural no país. Todavia, como cobrar da ex-presidente Dilma Rousseff as reformas quando por duas vezes conviveu com um Congresso Nacional que se parece mais com o baixo meretriz? Além de conviver com o desgaste político provocado pela Operação Lava-jato, portanto, sem empolgar as multidões e o PT no seu delírio devido aos resultados eleitorais positivos, quando foi acordar, Inês é morta.

O próprio PT sem promover sua autocritica, não soube enfrentar com resistência a campanha de difamação, nem mesmo as Fake News nas redes sociais, que assassinou a sua reputação naquele momento de euforia. Por conseguinte, abriu um espaço para as forças reacionárias e conservadoras brasileiras que emergiram das profundezas da escuridão, se autointitulando como salvadores da pátria. Como já dizia Humberto Eco: “a internet deu voz aos idiotas” - complemento com os medíocres, uma massa com origem nas redes sociais com o discurso antipolítica, impôs ao PT, um ódio semelhante ou pior que sofreu Antônio Conselheiro, Tiradentes, João Cândido, Luís Carlos Prestes, Marechal Rondon, Miguel Arraes, João Goulart e Leonel Brizola.

Por conseguinte, o PT e suas lideranças não esperavam a rebordosa do “grande acordo nacional” como bem disse Romero Jucá (MDB), envolvendo a banda podre da classe política brasileira, do judiciário, forças armadas, das elites, da classe média arrogante, líderes religiosos evangélicos e de “pobres de direita”, para puxar o tapete e derrubá-lo do principal espaço de poder do país ao promover o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Com o passar do tempo, ficou provado que o PT não soube se reinventar sem Lula e Dilma diante da continua campanha de difamação, precisaram recorrer novamente a figura de Lula e uma agenda revisionista voltada para atender aos interesses do capital rentista internacional, quando deveria apresentar uma agenda nacional de retomada do crescimento do país pós-pandemia do coronavírus.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Onde está o PSDB?

Diante da crise política que se arrasta dede o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), dividindo o país e servindo para abrir uma crise econômica e moral sem precedentes desde a redemocratização com promulgação da Constituição de 1988. Pra piorar, com a chegada da pandemia do coronavírus (Covid-19), estamos enfrentando a pior crise sanitária por conta da omissão e negligência do atual Governo reacionário no combate a Covid-19.

Diante desse cenário, por onde anda as maiores expressões do PSDB? Ou seja, cadê o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (fundador do partido), José Serra, Aécio Neves, Aloysio Nunes, Tasso Jereissati, Cássio Cunha Lima, Expedito Junior, Beto Richa e outros? Parece existir um pacto de silêncio entre todos, apequenados por conta do sentimento de antipolítica que atingiu o eleitor no território político nacional.

Desse modo, os velhos tucanos não estão sabendo se reinventar e reverter a rejeição enfrentado pelo PSDB junto aos eleitores, passando a defender que cabe as novas lideranças políticas a responsabilidade da reinvenção do partido. Entretanto, o Governador João Dória que foi eleito em segundo turno com slogan “bolsodoria” e com apoio dos bolsonaristas – forças conservadoras, reacionárias e fascistas, caberia a ele a missão de reinventar o ninho tucano? Por demonstrar diversas vezes que é adepto das mesmas ideias de quem o fizeram a chegar no Palácio Bandeirantes para governar os destinos dos paulistas, não seria o mais indicado para repaginar a socialdemocracia brasileira. Na outra ponta, o governador Eduardo Leite do Rio Grande do Sul, foi eleito com apoio de forças conservadoras e reacionárias gaúchas, além de seguir a pauta da política econômica defendida pelo ministro da Fazenda Paulo Guedes - elevando a carga tributária das empresas gaúchas, seria ele o nome ideal para propor a reinvenção tucana? Portanto, o PSDB continuará igual o “rei que ficou cego” no conto infantil.

O PSDB colecionou uma série de erros ao governar o país por 08 anos, na frente de Governos estaduais, prefeituras de capitais e importantes municípios com população acima de 250 mil habitantes. Pra completar, a crise interna partidária se agravou quando o ex-presidenciável Aécio Neves não aceitou a derrota nas urnas em 2014 e partiu para fazer oposição por fazer, culminando com o Golpe Parlamentar que derrubou a ex-presidente Dilma da presidência da República. Entretanto, quando revelado as imagens e áudios do senador mineiro Aécio Neves pedindo propina aos proprietários da JBS Frigorifico, parte do povo brasileiro percebeu que serviu de massa de manobra das raposas políticas, passando a reforçar o movimento antipolítica.

Na luta por sua reinvenção após a Operação Lava-Jato – a maior farsa jurídica kafkiana já montada no país, o PT e suas lideranças reavivou o seu discurso clássico de oposição em defesa da classe trabalhadora, revelando com números que a parcela mais pobre do povo pobre brasileiro cabia e cabe no orçamento da União. Neste caso, apresentam números do Governo Dilma que ampliou o combate à pobreza no país e garantiu ascensão socioeconômica de uma grande parcela da população pobre ao status de classe média.

Todavia, muitos renegam, mas o Governo Lula e Dilma, ambos do PT, elevou a lucratividade do capital financeiro e rentista, bem como dos produtores rurais - pequeno, médio e o grande, por meio de subsídios – financiamento e investimos na agricultura familiar e no agronegócio, aumento da escala de exportação e apoio a pesquisa cientifica e desenvolvimento de tecnologia voltada para modernização da agricultura. Com isso, o Brasil deixou de ser refém das monoculturas e fazia o capital circular, elevando a economia do país a categoria trade, atingindo o patamar de 6º posição na economia mundial, desmontando o discurso tucano.

Com o processo de reinvenção do PT e de outras forças políticas no território político brasileiro, o PSDB e outras legendas partidárias estão perdendo espaço junto ao eleitorado brasileiro. Tais legendas sofrerão um revés eleitoral nas próximas eleições municipais, em especial, os tucanos por não ter encontrado ainda o caminho para se reinventar junto aos eleitores.

domingo, 7 de junho de 2020

Representação Religiosa do neopentecostalismo em tempos de pandemia 

Alguns dias atrás conversando com um pastor de uma Igreja Evangélica Tradicional que nasceu na Reforma Protestante - o considero um pastor muito sábio e iluminado das ideias por Deus, analisamos o Cristianismo neopetencostal em movimento no Brasil. Em determinado ponto da conversa, citei a filosofia de Nietzsche a "golpes de martelos", esse era um filósofo que nasceu na Alemanha no século XIX, filho de um culto pastor protestante, possuia um gênio brilhante, tendo estudado latim, grego, teologia e filosofia, caso eu não esteja sendo traído pela minha memória.

Nietzsche a partir da leitura de "O mundo como vontade e representação", de Schopenhauer, sentiu-se profundamente atraído pelas reflexões filosóficas deste pensandor. No decorrer do nosso diálogo verificamos que o filósofo Nietzsche na sua trajetória intelectual, realizou uma crítica radical as tradições filosóficas e aos valores fundamentais da civilização ocidental, construindo um pensamento diferente e original a "golpes de martelo", como ficou conhecido sua filosofia. Citei a sua obra Geneologia da Moral em que Nietzsche, realizou um estudo da formação histórica dos valores morais.

No livro Geneologia da Moral, Nietzsche concluiu que não existem as noções absolutas de bem e de mal. As concepções morais elaboradas pelos homens, segundo ele, a partir dos interesses humanos, portanto, resultado de produtos históricos-culturais. No entanto as religiões, como o Judaísmo e Cristianismo, impõe esses valores humanos como se fosse produtos da vontade de Deus.

Analisando o  movimento neopentecostal no Brasil, em especial, na Amazônia, é possível observar que a crítica do filósofo Nietzsche  em relação a "moral de rebanho" baseada na submissão irrefletida aos valores dominantes da civilização cristã e burguesa, nada mais é que uma massificação da visão de mundo burguês e da preservação do conservadorismo cristão, travestidos da promessa de prosperidade econômica. Tal crítica visa combater a complacência, a mornidão das posições adquiridas, que o comodismo intitula moral. 

Seguindo o seu pensamento, o cristianismo deixou de ser a única verdade para se tornar uma das interpretações possíveis de mundo e que o ser humano deve ousar e conquistar a si mesmo, para que possa viver a liberdade da razão, sem conformismo, resignação ou submissão. Em se tratando do movimento neopentecostal, que faz surgir igrejas evangélicas de tabuletas com origem de rachas internos de igrejas maiores, surgem pastores milagreiros e charlatães que não tem formação teológica e muito menos, conhece as bases da exegese cristã e da filosofia.

Líderes religiosos que nunca vivenciaram o ambiente de um seminário e/ou instituto de formação teológica, conhecidos no meio cristão neopentecostal como pastores leigos que não tem intimidade alguma com a língua materna, portanto, não conseguem interpretar as passagens bíblicas por não sabe ler e escrever corretamente, muito menos fazer a interpretação de texto correta.

Igrejas evangélicas neopentecostais estão sendo conduzidas por analfabetos funcionais e alguns casos, pessoas ignorantes. Existem aqueles pastores mais espertos que por meio da promessa da prosperidade econômica, faz surgir verdadeiras seitas religiosas neopentecostais. Desses líderes sai a venda de "indulgências", a promessa de uma vida abençoada com prosperidade econômica e até mesmo,  da salvação no céu, praticando hoje em dia aquilo que a Reforma Protestante condenava na Igreja Católica Apostólica Romana na Idade Média.

As igrejas evangélicas neopentecostais mantem programa de rádio, televisão e distribuição de jornais e revistas em massa. O conteúdo é todo voltado para a pregação da prosperidade econômica e que a salvação é alcançada através da participação de correntes milagrosas e pra isso, existe um custo financeiro, que nada mais é pra arrecadar dinheiro e aumentar o faturamento das receitas das igrejas. Recentemente, por exemplo, em canal de televisão aberto, um pastor neopentecostal estava vendendo a semente milagrosa "se toma sua benção", que cura até o coronavirus (covid-19), que tá matando milhares de pessoas todos os dias em meio a pandemia.

Infelizmente existem pessoas que ainda acreditam em charlatões que se escondem atrás da Bíblia. Pior, charlatanismo barato em rede de televisão nacional em horário nobre mantido em nome de uma moral de rebanho como escreveu Nietzsche. Falta uma visão crítica dos evangélicos em relação aos líderes religiosos, principalmente aos dogmas religiosos que não estão na bíblia criados por esses "bispos" e "pastores". Dogmas forjados para submeter suas "ovelhas" aos interesses das igrejas criadas para eles no intuito de atingir o ápice financeiro através da Boa Fé alheia.

A Teologia da Prosperidade Econômica pode ser considerada um fenômeno que promove a escravidão de pessoas por conta da promessa fácil de riqueza ou cura de doenças crônicas - prometidas sistematicamente em programas de comunicação de massa. Programas que massificam o neopentecostalismo de um evangelho tangível, fungível e alienante, quando deveria pregar a verdadeira salvação individual como pregou Jesus Cristo.

domingo, 31 de maio de 2020

Vírus existe sim e mata

Participei ontem (30/05/20) do sepultamento de mais uma vítima do Coronavirus (Covid-19) no cemitério Jardim da Saudade em Porto Velho - Rondônia. Pessoa próxima e muito querida. 

Mas naquele instante diante de um cenário de morte, angústia e dor, fiquei pensando em todas as famílias que perderam para o Coronavirus a sua esposa ou esposo, um pai ou uma mãe, avó ou avô, tio ou tia, uma filha ou filho, um cunhado ou cunhada, o genro ou a nora, um amigo ou amiga, um vizinho ou vizinha e outros.

Paralisado e com meus pensamentos desprendidos, me perguntei: como enfrentar uma pandemia de um vírus letal com tantos sabotadores desde o início, sendo o maior deles o presidente da República e seus seguidores que lhe restam? Muitos vão dizer que morreram poucos e que as precauções de nada adiantou.

Tais precauções adiantaram sim, salvaram muitas vidas daqueles que fizeram o isolamento social e a quarentena corretamente. Àqueles que se infectaram por conta da desobediência civil, por sua vez, infectaram muita gente. Os que foram infectados, alguns conseguiram sobreviver, outros não por conta da saúde mais fragilizadas ou idade avançada.

O momento requer uma profunda reflexão e de luta para salvar vidas, isso cabe a todos nós, inclusive, para aqueles que restam lucidez para enfrentar tempos sobrinhos, obscurantista e de incertezas.

terça-feira, 31 de março de 2020

Ex-Prefeito Laerte Queiroz de Nova Mamoré recupera direitos políticos

O ex-prefeito de Nova Mamoré, Laerte Queiroz, recuperou seus direitos políticos no início desta semana (31/03/20), causando reboliço nos bastidores da corrida eleitoral do município. Em processo na Justiça Federal oriundo da sua atividade madeireira, impôs uma discussão jurídica em torno da sua possível inelegibilidade no ano de 2016. Com serenidade, característica sua peculiar, recebeu a decisão com tranquilidade, recuou de disputar a reeleição para prefeito no pleito eleitoral de 2016 e buscou o remédio jurídico para seu problema.

Na inicial, segundo seu advogado Miqueias José Teles de Figueiredo, houve a negativa da Justiça Eleitoral para emitir a certidão de quitação eleitoral e da filiação partidária do ex-prefeito Laerte Queiroz neste ano eleitoral. Mas na tarde de hoje (31/03/20), o juiz criminal do processo que tramitou na Justiça Federal, acatou o pedido deste advogado, fazendo com que houvesse o restabelecimento dos direitos políticos do paciente, de pronto, houve o envio da decisão do juiz responsável pelo caso para Justiça Eleitoral, que prontamente restabeceu os direitos políticos dentro dos prazos previstos pela legislação eleitoral, ou seja, quitação eleitoral e registro de filiação partidária para fins de candidaturas.

O ex-prefeito Laerte Queiroz que já se encontra com a certidão de quitação eleitoral em mãos e com a certidão de filiado ao MDB, poderá se candidatar ao pleito deste ano se assim desejar. Entretanto, a oposição estrebucha nas redes sociais lançando Fakenews contra a decisão do douto magistrado que restabeleceu os direitos políticos do ex-prefeito Laerte. 

Reflexões geográficas da quarentena

A pandemia causada pelo Covid-19, fez circular a obra "Coronavirus e a luta de classes" da editora Terras sem amos, com reflexões assinadas por David Harvey, Slavoj Zizek, Alain Baidou, Mike Davis, Alain Bohr e Raúl Zibechi. A leitura é primordial diante da emergência planetária provocada pelo Covid-19, uma doença infectocontagiosa que "não reconhece classe ou outras barreiras e limites sociais (Harvey, 2020, p. 21).

A pandemia causada pelo Covid-19 vai fazer o ser humano experimentar sua existência em termos de crise social,  econômica, política e sanitária em escala global. Para Geografia Política, trata-se uma nova experiência de crises e conflitos, um verdadeiro convite a reflexões profundas e análise do isolamento social vertical ou horizontal nas sociedades capitalistas e de economia planificada, no caso, a China.

O Coronavirus é um fenômeno que se manifesta no território social e político nas mais diversas escalas geográficas e não escolhe classe, é uma nova experiência de crise. Os efeitos globais da pandemia em níveis sanitários e econômicos, obriga aos cientistas de qualquer área, analisar seus efeitos e causas. No caso da Geografia, é possível afirmar que os seres humanos precisarão repensar seus modos de vida e dimensionar as formas de apropriação da natureza e de convivência social.

A atual pandemia nos permiti assumir uma postura crítica e uma disposição a reflexões fundamentais,  em especial,  as controvérsias da opinião pública e dos gestores públicos em torno das ciências e da produção científica. O que requer uma nova reflexividade do ficar, trabalhar e estudar em casa, ou seja, pessoas deixam de sair de casa para trabalhar, ir à escola, faculdade,  igreja, clube, academia,  festas, jogos, atividades de lazer, reuniões de negócios etc., configurando novos arranjos de relações sociais e de sociabilidade mediadas fortemente pelas redes e tecnologias digitais.

Quando nos reportamos a história e dimensionamos as crises enfrentadas pelos seres humanos em toda sua existência na Mãe Terra, é possível perceber que as "crises" proporcionam cenários de mudanças. Portanto,  superado a pandemia atual, as políticas sanitárias deverão ser revistas, o isolamento social e a privação não prevaleça como modelo de punição, mas que a liberdade triunfe novamente e o Bem Viver seja uma oportunidade para imaginar outros mundos.

Referência

DAVIS, Mike etc al. Coronavirus e a luta de classes.  Brasil: Terra sem Amos:, 2020.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Crise Política na Bolívia: possível volta de tempos sombrios na América do Sul


Terminado o processo eleitoral que deu a reeleição em primeiro turno ao presidente Evo Morales a presidência da República da Bolívia, seus opositores apontaram fraudes, havendo um aumento do acirramento político naquele país. Por sua vez, convocada para auditar o processe eleitoral, a Organização dos Estados Americanos (OEA), produziu relatório afirmando que havia indícios de irregularidades nas eleições e era preciso a realização de um segundo turno eleitoral.
           
Mesmo assim, não foi o suficiente para acalmar os ânimos dos opositores que desde a primeira hora do resultado eleitoral, acendeu uma crise política com manifestações pedindo a renúncia do presidente reeleito Evo Morales. Opositores foram as ruas e deram inícios a confrontos e a proliferaram atos violentos ao ponto das Forças Armadas se aquartelaram para não reprimir as manifestações dos opositores a Morales - expressão de solidariedade aos manifestantes de Direita.
           
Com a intensificação dos confrontos e ataques a casa de Morales e residências de familiares e aliados, além do ultimato do Comandante em Chefe das Forças Armadas, o presidente reeleito Evo Morales de maneira sensata, preferiu renunciar como forma de tentar uma pacificação do que expor seu povo a violência e levar o país a uma Guerra Civil, o que nada adiantou e o país segue dividido.
           
A crise política instalada na Bolívia mediante renúncia do presidente e do vice-presidente bem como dos possíveis nomes da Linha Sucessória sem que houvesse uma destituição por meio Judicial ou do Parlamento, mas uma interrupção de mandatos via “uma sugestão” de militares das Forças Armadas - procedimento inconstitucional, pode sim, ser considerado um Golpe de Estado. Entretanto, Evo Morales renunciou à presidência, não foi deposto do cargo, mas por mobilizações sociais urbanas de opositores civis e mediante posicionamento das Forças Armadas antes e depois do ato de renúncia, portanto, caracteriza que existia um Golpe de Estado em processo como sempre aconteceu no passado naquele país andino.

Contudo, Evo Morales errou? Sim, errou quando optou por uma quarta reeleição, contradizendo a Constituição Boliviana, menosprezou o resultado do referendum realizado no ano de 2016, quando o povo rejeitou a modificação da Carta Magna daquele país para permitir reeleições consecutivas. Por conseguinte, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia de permitir que o presidente participasse do processo eleitoral como forma de buscar sua reeleição para um quarto mandato e a interrupção da apuração por horas da noite, somado ao relatório da OEA que apontou irregularidades nas eleições, expos a frágil democracia boliviana. Assim, Morales errou quando não preparou alguém do seu grupo político para sucede-lo na presidência da Bolívia e sua conduta de permanecer como Chefe de Estado, mesmo que seja pelo voto, sem alternância de poder, projeta uma imagem de que o regime se encaminhava ao autoritarismo, consequentemente, instalação de um regime totalitário de Esquerda semelhante o instalado na Venezuela.  

Portanto, devo lembrar ainda, que um Golpe de Estado pode ser de ideologia de Esquerda ou de Direita, por sua vez, a intensidade da violência e o tipo de regime que o sucede determina como o golpe será lembrado na memória dos protagonistas e nos livros de História. No entanto, a crise politica na Bolívia e os confrontos entre opositores e apoiadores de Evo Morales, paralelamente a crise política instalada no Chile – país vizinho, somado ao acirramento político ideológico entre Esquerda e Direita na Argentina, Uruguai, Equador, Colômbia, Peru e no Brasil, poderá dissipar temores de que a América do Sul está voltando aos tempos sombrios e de incertezas.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

CONTRATOS ENTRE FGV E SUPEL DEVERIAM SOFRER DEVASSA FINANCEIRA


A Superintendência Estadual de Compras e Licitações do Estado de Rondônia – SUPEL/RO, solicitou a Fundação Getúlio Vargas, a apresentação de proposta técnica e comercial de prestação de serviços, para realizar pesquisa e cálculo de preços referenciais até 900 (novecentos) itens, apuração semestral de custos dos serviços – segurança e vigilância. Por sua vez, a proposta foi encaminhada no dia 02 de setembro de 2014 da FGV a SUPEL/RO.

Por dispensa de licitação, a SUPEL contratou os serviços técnicos mencionado acima pelo processo 01-1108.00001-0000/2015 - 08 de janeiro de 2015, a Fundação Getúlio Vargas, por intermédio do seu Instituto Brasileiro de Economia – IBRE. Na proposta do contrato, o preços e condições de pagamento da execução de serviços, a SUPEL/RO, deveria pagar a FGV/IBRE, o valor total de R$ 2.078.400,00 (dois milhões, setenta e oito mil quatrocentos reais dividido em 24 (vinte quatro) parcelas mensais, iguais e consecutivas no valor de R$ 86.000,00 (oitenta e seis mil). Tal contrato vigorou por 24 meses como previsto e ainda era previsto o seu reajuste anual pelo Índice de Preço ao Consumidor do Mercado (IPC-BR-M).

Para ilustração, no mês de junho de 2017 (parcela 20/24), o valor da fatura foi de R$ 133.516,61 (Cento e três mil, quinhentos e dezesseis reais e sessenta e um centavos). Na fatura de julho a agosto de 2017, foi pago a FGV-IBRE, R$ 267.033.22 (Duzentos e sessenta e sete mil, trinta e três mil reais, vinte e dois centavos). Todavia, os valores das parcelas sempre foram acima do estabelecido no contrato, mesmo com a correção anual conforme clausula contratual, portanto, os contratos entre FGV e SUPEL deveriam sofrer devassa financeira.