quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Encerrar capítulos


       Alguns seres humanos não sabem fechar ciclos, portas, janelas e encerrar discursos e capítulos. Não aceitam quando uma fase da vida termina, procura insistir em permanecer nela, preferindo perder a alegria e o sentido de viver. Portanto, o importante é encerrá-los e seguir em frente.
     Não podemos viver o presente pensando no passado e nem ficar o tempo todo nos perguntando: “Porque não deu certo comigo”? Não podemos ser crianças ou adolescentes eternamente, nem podemos permanecer fazendo o que não gostamos, no lugar de fantasias ou ter vínculos com pessoas que não gostam de nós. Os problemas acontecem e devemos deixá-los ir!
       Certa manhã, um sentimento de nostalgia lhe invade e você se lembra do tempo que perdeu com lutas inglórias ou causas que nasceram perdidas, os minutos desperdiçados que não voltam mais. Assim, temos que entender que o tempo é o nosso bem mais valioso na vida.
          É normal vez ou outra, lembrar do passado; o que é não é normal é viver com as feridas emocionais abertas. Tais lembranças nos impedem de caminhar, viver o presente e desfrutar tudo o que temos. Chamo esses pensamentos de vertigens emocionais.
         Por sua vez, acreditar que o passado foi melhor é garantia de sofrimento emocional no presente. Essa crença nos impede “de soltar e deixar ir” e podemos mergulhar num abismo profundo. Criam vertigens emocionais que nos impede de esquecer o passado, curar nossas feridas e viver o presente.
          Dessa forma, algumas pessoas acreditam que olhar para o passado é perda de tempo; o importante é viver o presente. Dessa forma, as tristezas emocionais do passado vão se acumulando, criando “uma montanha de dor” cada vez maior.
        Precisamos nos libertar das correntes que amarram nossos pensamentos para que as vertigens emocionais desapareçam. O que somos hoje é fruto do passado, tenha sido ele bom ou ruim. Porém, quando retornamos nossos pensamentos ao passado, devemos entender as partes negativas e não permitir que elas perturbem o nosso presente. Isso pode ser até muito doloroso, mas abre espaço para o novo.
        Por sua vez, quando procuramos cicatrizar as feridas emocionais, estamos caminhando para superar os medos do passado no presente. Dessa forma, é a única forma de nos livrar da carga pesada que oprime e causa sofrimentos.

          Dessa forma, não insista nas coisas que não traz alegria para sua vida e não lhe faz feliz, procure permanecer ao seu lado de quem acrescenta. Busque ficar com quem oferece e procura segurança, reconhece suas qualidades e dá carinho. Liberte-se! A perda será muito menos dolorosa do que a dor de apegar-se “ao que já foi e não é mais”.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Criar conhecimento, não valor!

     O mundo passou por grandes mudanças nos últimos anos devido a Revolução Técnico-Científica-Informacional. Tal previsão foi feita pelo geógrafo Milton Santos, por sua vez, essa revolução silenciosa provocou e vem provocando grandes transformações nos modos de vida na atualidade.
     Desde o passado, a sociedade tinha se habituado a conviver com as máquinas barulhentas da Revolução Industrial. Entretanto, com as mudanças que ocorreram e estão ocorrendo, requer da sociedade contemporânea, apressar o passo pra acompanhar a velocidade da revolução tecnológica imposta pelo capital.
   Vivemos hoje no mundo virtual dos computadores, da realidade virtual ou da terceira dimensão que nos bombardeia a cada instante com uma infinidade de informações de todos os lugares do mundo. Diante desse quadro, nos perguntamos: como organizar e selecionar tantas informações como fonte de saber para nossa vida e construção do nosso conhecimento? Vamos procurar ser sucinto na resposta mediante nossa inquietação.
     A geração brasileira foi educada durante o século XX para viver numa sociedade industrial. Entretanto, a geração atual dos países desenvolvidos foi preparada para viver numa sociedade do conhecimento. Portanto, existe um desafio enorme para ser superado a passos largos pelos países emergentes como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – BRICs.
     Diante desse cenário mundial, os líderes políticos precisam perceber que não vivemos mais no mundo do trabalho exibido no filme “Tempos Modernos” do cineasta e diretor de cinema Charlie Chaplin. Por sua vez, o mundo que vivemos hoje é de bens intangíveis, ou seja, é um bem que não conseguimos segurar na mão, por exemplo, o software é um bem intangível.
     Nesse limiar, os produtos da indústria cultural – cinema, música, televisão, internet – mídias sociais, aplicativos, mundo dos negócios - consultoria, formação continuada - cursos de aperfeiçoamento, e outros, são bens intangíveis. Portanto, estamos vivendo num mundo que o conhecimento passa a ser um fator de produção, ou seja, passa a ser mais importante do que terra, trabalho, capital, energia e matéria-prima.
     Nesse contexto de globalização, três transformações importantes contribuem para reabrir discussões teóricas sobre o capital – riqueza e valor, conhecimento – bem intangível, e natureza – apropriação e esgotamento. A primeira consiste na generalização em escala planetária de um modo de desenvolvimento produtivista devastador. A segunda diz respeito ao conhecimento, esse cada vez mais importante no processo produtivo. Por conseguinte, a natureza é indispensável para qualquer produção de valor econômico.
     Durante a sociedade industrial, o valor era calculado pelo trabalho – energia, para produzir o produto. Entretanto, na atualidade, o valor recai sobre o conhecimento agregado ao produto que está sendo produzido por conta da revolução das tecnologias da informação e da comunicação. Essas variáveis estão integradas ao conhecimento como um fator decisivo para a criação de riquezas. Dando origem ao que podemos chamar de capitalismo “cognitivo”, “economia do conhecimento”, “economia da informação” ou “economia do imaterial”, assumindo o lugar do antigo capitalismo industrial.
    Por sua vez, os recursos da natureza são finitos, porém, o recurso do conhecimento é infinito, ou seja, quanto mais se usa, mais se multiplica. Nesse caso, o conhecimento é uma riqueza infinita e as leis básicas da economia não são aplicáveis a esse recurso. Dentre elas para ilustrar, a teoria da escassez.
     A lei que vale para o conhecimento como fonte de recurso é a da oferta. Desse modo, quanto mais compartilhar, mais conhecimento eu tenho. Diferentemente da sociedade industrial que tinha como base a competição. Portanto, a competição industrial é capaz de destruir um país para subtrair dele uma matéria-prima ou retardar seus passos em direção ao conhecimento. Por exemplo, o Iraque, a Irã e a Síria no passado e no presente.
    Ainda no presente, temos o jogo armado no pacífico entre as potências mundiais para destruir as sociedades do conhecimento que surgiram no Japão, Coréia do Sul e nos Tigres Asiáticos. Dessa forma, os países desenvolvidos não desejam que outros países avancem a passos largos em direção ao conhecimento.
     Assim, estamos vivemos uma mudança de era e isso assusta as pessoas, ou seja, querendo ou não, as sociedades industriais caminham para o conhecimento. Esse passou a ser, por sua vez, o principal fator de produção. Todavia, a terra, a energia e a natureza continuam a exercer o seu papel na economia apesar do deslocamento do eixo de criação para outros setores de produção e de atividades econômicas.
   Dessa forma, a tecnologia cria indústrias e empresas semelhantes por conta do conhecimento, ou seja, se uma dessas compra um software hoje, o concorrente pode comprar um similar amanhã – ambos passam a possuir a mesma ferramenta tecnológica de inovação. Por sua vez, as pessoas é quem fazem a diferença no mundo do conhecimento.
     Diante de tantas informações como fonte de saber para nossa vida e construção do nosso conhecimento, precisamos abandonar a visão cartesiana de mundo e passar a enxergá-lo de forma sistêmica – conseguir pensar o todo, ou seja, desenvolver uma visão global para entender o ser humano, a natureza e o trabalho.
     Portanto, a criatividade vale mais que a linha de produção e as ideias valem mais que as máquinas. Nesse caso, os nossos cérebros são as máquinas que precisamos aprender a lidar e os neurônios são as peças que precisamos manusear. Assim, quem produz conhecimento são os seres humanos e diante desse mundo acelerado de constante transformação, precisamos substituir o pensar e realizar pelo refletir, criar e fazer.

terça-feira, 4 de julho de 2017

A escola que temos e a escola que queremos

     Clicando no Google você vai achar uma enorme quantidade de postagens com essa mesma tematização em tela. Não vamos nos deter a números de referências que encontrei a respeito do assunto em questão. O que nos interessa são questões comparativas em relação a escola do “passado”, do “presente” e do “futuro”.
    Procuro, mas não consigo enxergar um horizonte com luz para as escolas brasileiras, profissionais da educação, família e alunos/as. Os avanços na educação não são reflexos de um projeto de nação, mas apenas de governos.
       Os poucos avanços conquistados na educação são frutos de experiências isoladas e ainda convive com modelos arcaicos de escolarização. Nesse caso, prevalece o modelo tradicional de ensino-aprendizagem, a desvalorização profissional e a família “achando” que as escolas além de escolarizar seus filhos também precisam educá-las.
       Diante desse quadro, levantei a seguinte questão: a Escola forma gente para o passado ou para o futuro? Para responder nossa questão, se faz necessário lembrar que estamos vivendo numa era digital.
    Dessa forma, tudo é quase possível no mundo digital mediante a rapidez, mobilidade, avanços técnico-científicos, pessoas em movimento e o enorme fluxo de informação. Reacendendo a ideologia de progresso e desenvolvimento como mola propulsora do mundo globalizado.
      Os seres humanos não se reúnem para conversar, mas para clickar. Nesse caso, a base cultural das gerações futuras é forjada por dígitos, senhas, clicks, aplicativos, sites de relacionamentos e tantas outras ferramentas encontradas nas redes sociais. Esse mundo virtual passa a ser o ponto de encontro entre as pessoas, porém, o que se discute nessas redes? Que lições posso aprender? O que acrescenta ao meu intelecto? Até a onde a tecnologia pode me levar? Qual é o papel da Escola diante de tantas informações e tecnologia? Como lidar com o celular em sala de aula? Até quando o celular será proibido em sala de aula?
     Portanto, o modelo arcaico de escola e escolarização não convém na era digital. Não podemos ter dois pólos paralelos na forma de fazer educação no Brasil, ou seja, a escola dita tradicional numa profunda crise, com uso de tecnologias ultrapassadas e absoletas, criando espaços como laboratórios de informática que podem ser vistos como objetos alheios ao processo de ensino-aprendizagem bem como profissionais do ensino preso a lousa e trabalhando conteúdos sem associar a realidade e o cotidiano do/a aluno/a.
      Quem faz educação precisa entender que o avanço proporcionado pela tecnologia requer um novo modelo de seres humanos. Desse modo, o profissional do ensino e o meio escolar precisam passar por pesados investimentos em estrutura física, valorização profissional e inovações tecnológicas.
     Todavia, as escolas no mundo global em meio às florestas de concreto, guerras, ódio e violência, devem ser encaradas como um fato estabelecido, não mais como uma verdade pendurada. Assim, a Escola deve despertar uma consciência crítica do/a aluno/a para o bem da sua própria identidade cultural, da forma como se apropriamos da natureza, as relações estabelecidas no convívio social e como devemos nos conectar ao mundo global. Precisamos acabar com o princípio cartesiano de ensinar e deixar de lado o desprezo a construção do conhecimento.