terça-feira, 12 de novembro de 2019

Crise Política na Bolívia: possível volta de tempos sombrios na América do Sul


Terminado o processo eleitoral que deu a reeleição em primeiro turno ao presidente Evo Morales a presidência da República da Bolívia, seus opositores apontaram fraudes, havendo um aumento do acirramento político naquele país. Por sua vez, convocada para auditar o processe eleitoral, a Organização dos Estados Americanos (OEA), produziu relatório afirmando que havia indícios de irregularidades nas eleições e era preciso a realização de um segundo turno eleitoral.
           
Mesmo assim, não foi o suficiente para acalmar os ânimos dos opositores que desde a primeira hora do resultado eleitoral, acendeu uma crise política com manifestações pedindo a renúncia do presidente reeleito Evo Morales. Opositores foram as ruas e deram inícios a confrontos e a proliferaram atos violentos ao ponto das Forças Armadas se aquartelaram para não reprimir as manifestações dos opositores a Morales - expressão de solidariedade aos manifestantes de Direita.
           
Com a intensificação dos confrontos e ataques a casa de Morales e residências de familiares e aliados, além do ultimato do Comandante em Chefe das Forças Armadas, o presidente reeleito Evo Morales de maneira sensata, preferiu renunciar como forma de tentar uma pacificação do que expor seu povo a violência e levar o país a uma Guerra Civil, o que nada adiantou e o país segue dividido.
           
A crise política instalada na Bolívia mediante renúncia do presidente e do vice-presidente bem como dos possíveis nomes da Linha Sucessória sem que houvesse uma destituição por meio Judicial ou do Parlamento, mas uma interrupção de mandatos via “uma sugestão” de militares das Forças Armadas - procedimento inconstitucional, pode sim, ser considerado um Golpe de Estado. Entretanto, Evo Morales renunciou à presidência, não foi deposto do cargo, mas por mobilizações sociais urbanas de opositores civis e mediante posicionamento das Forças Armadas antes e depois do ato de renúncia, portanto, caracteriza que existia um Golpe de Estado em processo como sempre aconteceu no passado naquele país andino.

Contudo, Evo Morales errou? Sim, errou quando optou por uma quarta reeleição, contradizendo a Constituição Boliviana, menosprezou o resultado do referendum realizado no ano de 2016, quando o povo rejeitou a modificação da Carta Magna daquele país para permitir reeleições consecutivas. Por conseguinte, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia de permitir que o presidente participasse do processo eleitoral como forma de buscar sua reeleição para um quarto mandato e a interrupção da apuração por horas da noite, somado ao relatório da OEA que apontou irregularidades nas eleições, expos a frágil democracia boliviana. Assim, Morales errou quando não preparou alguém do seu grupo político para sucede-lo na presidência da Bolívia e sua conduta de permanecer como Chefe de Estado, mesmo que seja pelo voto, sem alternância de poder, projeta uma imagem de que o regime se encaminhava ao autoritarismo, consequentemente, instalação de um regime totalitário de Esquerda semelhante o instalado na Venezuela.  

Portanto, devo lembrar ainda, que um Golpe de Estado pode ser de ideologia de Esquerda ou de Direita, por sua vez, a intensidade da violência e o tipo de regime que o sucede determina como o golpe será lembrado na memória dos protagonistas e nos livros de História. No entanto, a crise politica na Bolívia e os confrontos entre opositores e apoiadores de Evo Morales, paralelamente a crise política instalada no Chile – país vizinho, somado ao acirramento político ideológico entre Esquerda e Direita na Argentina, Uruguai, Equador, Colômbia, Peru e no Brasil, poderá dissipar temores de que a América do Sul está voltando aos tempos sombrios e de incertezas.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

CONTRATOS ENTRE FGV E SUPEL DEVERIAM SOFRER DEVASSA FINANCEIRA


A Superintendência Estadual de Compras e Licitações do Estado de Rondônia – SUPEL/RO, solicitou a Fundação Getúlio Vargas, a apresentação de proposta técnica e comercial de prestação de serviços, para realizar pesquisa e cálculo de preços referenciais até 900 (novecentos) itens, apuração semestral de custos dos serviços – segurança e vigilância. Por sua vez, a proposta foi encaminhada no dia 02 de setembro de 2014 da FGV a SUPEL/RO.

Por dispensa de licitação, a SUPEL contratou os serviços técnicos mencionado acima pelo processo 01-1108.00001-0000/2015 - 08 de janeiro de 2015, a Fundação Getúlio Vargas, por intermédio do seu Instituto Brasileiro de Economia – IBRE. Na proposta do contrato, o preços e condições de pagamento da execução de serviços, a SUPEL/RO, deveria pagar a FGV/IBRE, o valor total de R$ 2.078.400,00 (dois milhões, setenta e oito mil quatrocentos reais dividido em 24 (vinte quatro) parcelas mensais, iguais e consecutivas no valor de R$ 86.000,00 (oitenta e seis mil). Tal contrato vigorou por 24 meses como previsto e ainda era previsto o seu reajuste anual pelo Índice de Preço ao Consumidor do Mercado (IPC-BR-M).

Para ilustração, no mês de junho de 2017 (parcela 20/24), o valor da fatura foi de R$ 133.516,61 (Cento e três mil, quinhentos e dezesseis reais e sessenta e um centavos). Na fatura de julho a agosto de 2017, foi pago a FGV-IBRE, R$ 267.033.22 (Duzentos e sessenta e sete mil, trinta e três mil reais, vinte e dois centavos). Todavia, os valores das parcelas sempre foram acima do estabelecido no contrato, mesmo com a correção anual conforme clausula contratual, portanto, os contratos entre FGV e SUPEL deveriam sofrer devassa financeira.

domingo, 6 de outubro de 2019

A estratégia da Distração segundo Chomsky


Circulou na rede a ideia de Chomsky em relação a “Estratégias de Distração” como meio de manipular as massas – o povo. Acredite, o filósofo e sociólogo estadunidense Avram Noam Chomsky é o pensador vivo mais citado no mundo. Ele tem mais de setenta livros publicados, ultrapassou a casa de mil artigos escritos que abordam temas ligados a linguística, filosofia, história, psicologia, ciências cognitivas, história das ideias, política nacional e internacional do seu país.

De tudo que o autor escreve, considero importante suas análises e opiniões sobre os meios de comunicação na atualidade, em especial, nos EUA, que num efeito dominó, influência redações do mundo inteiro. Para Chomsky, dominar a propaganda para sociedades democráticas, é um meio de controle menos violento, ou seja, difere dos sistemas totalitários que precisam recorrer a polícia política e ao cacetete.

Contudo, o pensador nos alertar da necessidade de filtrar tudo que chega pelos meios de comunicação, principalmente pela mídia utilizada pelas elites políticas e econômica como forma de manter a sociedade alienada e subordinada aos seus interesses. Tais estratégias dos círculos de poder de divulgar informações sem significância, garante o desvio de atenção das massas para os problemas sociais reais e concretos, bem como das mudanças que são decidas pelos ocupantes do poder sem que as populações tenham plena consciência dos prejuízos que podem sofrer.

É imprescindível para as elites políticas e econômicas dos países ricos ou pobres, que a população não tenha acesso ao conhecimento em qualquer área, ou seja, ciências humanas, exatas, biológicas, cibernética e outras – cortejo a ignorância. O que importa é manter as massas distraídas por meio de temas sem importância, ocupadas sem nenhum tempo para perceber e refletir, distante dos problemas sociais, ou seja, manter todos ocupados e vivendo numa fazenda tranquila, sem questionamento, como escreve George Orwell na sua obra Revolução dos Bichos.

Neste período de mídias Fake News, opiniões verdadeiras ou levianas de personalidades em redes sociais, personagens polêmicos de ideologias e de narrativas diferentes, pautas jornalísticas verdadeiras ou repleta de factoides, exposição das linhas de pensamentos, seja de ideologia de centro, esquerda, direita ou extremistas de ambos as posições ideológicas, levando em consideração as ideias de Chomsky, o Brasil sofreu um dilúvio de informações como forma de distrair a sociedade dos problemas sociais mais grave, que é a persistência da crise econômica, a crise política, o fantasma do desemprego, a volta da inflação e da fome.