terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A Rede da Marina já surge furada



Quando vi a cobertura do evento para criar o novo partido político batizado como Rede Sustentabilidade para abrigar os dissidentes de vários partidos de esquerda e no sentido de articular pela segunda vez a candidatura da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva a presidência da República.
Tive o cuidado de vasculhar o site que divulgava o evento marcado para acontecer na Universidade de Brasília (UNB) no sábado passado (16/02/13) e verificamos a ênfase a palavra “sustentabilidade” e o que mais impressiona são as declarações da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva aos meios de comunicação quando assumiu que não é oposição e nem situação ao governo petista de Dilma Rousseff (PT). Então, oportunismo ou fisiologismos com tal declaração? Na verdade essas duas últimas palavras das perguntas feitas são marcantes na nossa política brasileira.
Todos nós sabemos que Marina Silva teve seu berço político no Partido dos Trabalhadores (PT) e depois migrou para o Partido Verde (PV), sendo esse último que a fez candidata a presidência da República nas eleições de 2010, obtendo mais de 19 milhões de votos, ficando fora da disputa no segundo turno. Nesse processo eleitoral, a então ex-presidenciável Marina Silva não assumiu posições, na verdade, manifestou a posição de neutralidade em relação as candidatura da então presidenciável Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) que foram para o segundo turno daquela eleição. Surge outas duas perguntas: o político que não assume posições fortalece o processo democrático? É confiável?
A memória me faz lembrar a criação do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) para abrigar à candidatura a presidência da República da ex-senadora Heloisa Helena nas eleições gerais de 2006, partido que também surgiu de uma dissidência do Partido dos Trabalhadores (PT), tendo o discurso principal a ética e se colocava como uma nova alternativa política como o mesmo faz o Rede Sustentabilidade, mas ambos têm uma característica comum, não desejam conversar a mesa com os setores produtivos e financistas do país. Bem, qualquer leigo em política sabe que governança se faz com dialogo. E como não conversar com tais setores na atualidade? Devemos lembrar que são esses setores que movimentam a economia e empregam a grande massa de trabalhadores que carregam o nosso país nas costas.
A palavra sustentabilidade esta na moda, tal palavra gera um pseudo- idealismo, ela acaba cobrindo uma segunda ideia que deve ficar obscura perante as ideologias políticas e partidárias. Portanto, a ex-candidato a presidência da República Marina Silva parece ter amnesia em relação à rede sustentável que tanto defende como “nova política”, basta apenas se reportar a existência da exploração ilegal da madeira no Estado do Acre e até mesmo a apropriação indébita da madeira apreendida nas operações do IBAMA do Acre na Ponta do Abunã, território rondoniense e tais apreensões sendo levadas para o Estado do Acre para ser utilizada nas obras públicas do governo acreano.
O surgimento de legendas oriundas das dissidências partidárias a exemplo do PSOL que teve suas bases provenientes do radicalismo do PT. O PSD que vem das raízes profundas do ex-PFL, esse na atualidade rebatizado de DEM, mas com as mesmas práticas e posições ideológicas neoliberais. E o Rede, surge não como uma rede, mas uma colcha de retalhos, na verdade, é uma soma de vários militantes políticos adeptos de vários pensamentos ideológicos, que para conceituar tal movimento partidário, devo me reportar à obra Genealogia da Moral escrita por Nietzsche para qualquer tipo de reflexão sobre a nova legenda, na verdade, com ênfase no aspecto de transvaloração dos valores que tem como pretensão se ajustar aos diferentes objetivos, ou seja, como bem dizia Maquiavel, os fins justificam os meios.

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